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    COMUNICADO DE IMPRENSA: Ponto de situação do Programa de Transformação da Sonangol

    1 de dezembro de 2016
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    O actual Conselho de Administração da Sonangol foi mandatado por decreto Presidencial para proceder à reestruturação da empresa com o objectivo de restituir a sanidade financeira e a eficiência organizacional necessárias à criação de valor ao seu accionista e, assim, à economia nacional.
     
    É assumido que a conjuntura actual de quebra acentuada e prolongada do preço do petróleo coloca enormes desafios às empresas do sector petrolífero a nível mundial.
     
    Também na Sonangol, a redução da receita de venda de petróleo levou à diminuição dos seus resultados e da rentabilidade, reduzindo a libertação de fundos para o accionista Estado.
     
    No entanto, no caso concreto da Sonangol, a referida redução acentuada de receitas não foi acompanhada pela necessária revisão da estratégia de investimento do Grupo. Este cenário conduziu a uma situação difícil perante os credores internacionais, dificultando a capacidade de obter novos financiamentos fundamentais para a sustentabilidade das operações, manutenção dos níveis de produção, pagamentos a fornecedores e cumprimento dos seus compromissos financeiros.
     
    De forma a contrariar este cenário negativo, a nova Administração da Sonangol realizou uma avaliação profunda do Grupo para assegurar um conhecimento total da situação de partida e para que as suas decisões fossem tomadas com base na realidade da empresa.
     
    Esta avaliação, que cobriu a situação financeira e fiscal, a organização, os processos, os sistemas de informação e as pessoas, aponta para uma situação bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado, obrigando a decisões de gestão com carácter de urgência.
     
    A avaliação conduzida até a data detectou um conjunto de inconsistências entre a informação contabilística e a informação real da empresa, bem como uma falta de controlo sobre várias participações financeiras, tornando-se evidente a necessidade de reestruturação financeira do Grupo para conseguir cumprir com os compromissos de dívida.
     
    Ao nível dos processos, foi identificado um desalinhamento com as boas práticas, o não cumprimento dos procedimentos e normas internas e a falta de mecanismos de controlo.
     
    Os sistemas informáticos foram também alvo de diagnóstico, tendo sido demonstrada a falta de fiabilidade da informação e profundas debilidades ao nível do sistema de contabilidade (SAP) com elevado risco para o negócio e tomada de decisão.
     
    Ao nível de Recursos Humanos foi identificado um sobredimensionamento da estrutura, existindo cerca de 22 mil pessoas ligadas ao Grupo Sonangol, com cerca de 8000 colaboradores activos, mais de 1100 colaboradores não activos (e a representar um custo anual superior a 40 milhões de dólares), mais de 8 mil trabalhadores pertencentes a empresas de trabalho temporário, e 1934 bolseiros internos e externos. Na componente organizativa foi concluído que o modelo actual está pouco alinhado com as melhores práticas nacionais e internacionais. Em particular, algumas chefias gerem pequenas equipas sem ter a visão transversal do negócio, e existe um número elevado de camadas hierárquicas, dificultando o processo de tomada de decisão. Foi ainda constatada a duplicação de funções entre as empresas do grupo e um número excessivo de sociedades dentro do universo Sonangol.
     
    Queda de receitas brutas versus custos operacionais 2013-2016
     
    Do ponto de vista financeiro, as receitas brutas da Sonangol têm vindo a cair desde 2013.
     
    A receita bruta da Sonangol em 2013 foi de 40.070 milhões USD (quarenta mil e setenta milhões), em 2014 foi de 24.657 milhões USD (vinte e quatro mil e seiscentos e cinquenta e sete milhões), em 2015 foi de 16.212 milhões USD (dezasseis mil e duzentos e doze milhões) e, este ano de 2016, estima-se uma receita bruta de 15.325 milhões USD (quinze mil e trezentos e vinte e cinco milhões).
     
    Ao mesmo tempo, os custos operacionais da empresa não diminuíram tanto quanto a quebra de receitas, estimando-se em 11.957 milhões USD (onze mil novecentos e cinquenta e sete milhões) em 2016, uma redução face aos 14.443 milhões USD (quatorze mil e quatrocentos e quarenta e três milhões) em 2015.
     
    Queda de lucro
     
    Comparativamente o lucro da Sonangol tem vindo a decrescer entre 2013 e 2015. Em 2013 o lucro foi de 3.089 milhões USD (três mil e oitenta e nove milhões), em 2014 foi de 1.415 milhões USD (mil e quatrocentos e quinze milhões), e em 2015 o lucro foi de 389 milhões USD (trezentos e oitenta e nove milhões). Em 2016, prevê-se que não haverá dividendos para o accionista Estado.
     
    Redução de investimento
     
    Em 2015 foram investidos 4.683 milhões USD (quatro mil e seiscentos e oitenta e três milhões) em novos projectos diversos, incluindo projectos fora do sector de petróleo e gás. Os investimentos em 2016 focaram-se principalmente em projectos de exploração e desenvolvimento petrolíferos, no entanto, tendo havido uma redução do investimento para cerca de 3.303 milhões USD (três mil e trezentos e três milhões).
     
    Dívida financeira e pagamento de cash calls
     
    A Sonangol tem vindo a honrar o pagamento das prestações mensais referentes a sua dívida financeira aos bancos. No entanto, o incumprimento por parte da Sonangol em 2015 dos convénios financeiros (outras condições contratuais) com os bancos resultou num conjunto de constrangimentos, sobretudo limitando o acesso ao financiamento que estava programado para 2016.
     
    A dívida financeira da empresa para 2016 está estimada em 9.851 milhões USD (nove mil oitocentos e cinquenta e um milhões).
     
    Actualmente, existe a necessidade de contrair novos financiamentos, pois existem compromissos financeiros em 2016, ainda por financiar, de forma a que a Sonangol possa cumprir com os pagamentos até ao final do ano. Esta necessidade totaliza o valor de 1.569 milhões USD (mil quinhentos e sessenta e nove milhões).
     
    Com o advento da paz e estabilidade no País ao fim da guerra em 2002, a Sonangol embarcou numa política de maior investimento, diversificando em projectos fora do âmbito do petróleo e gás. Assim aumentou a sua carteira de participações em vários negócios, criando novas empresas, e iniciando a sua internacionalização.
     
    Hoje, os actuais desafios não resultam só da queda do preço de petróleo bruto, mas, fundamentalmente, da aplicação de uma política de investimentos questionável ao longo dos últimos quinze anos, não tendo gerado o valor esperado para o accionista.
     
    Esta carteira de investimentos é caracterizada actualmente por projectos problemáticos, como a Refinaria do Lobito e Terminal Oceânico da Barra do Dande, e investimentos avultados sem retorno, fora do negócio principal da Sonangol, nomeadamente, investimentos em áreas como saúde, hotelaria, imobiliária e energias renováveis.
     
    Constatou-se também que a produção nacional de produtos refinados é limitada, representando cerca de 20% do consumo total. Os custos de importação cresceram ao longo de 2016, sendo os custos incorridos em USD e as vendas realizadas em Kwanzas. A importação de combustíveis representa uma necessidade de divisas de, em média, 170 milhões USD (cento e setenta milhões) por mês. O acesso a divisas nesta conjuntura tem sido muito desafiante para a Sonangol, que tem tido dificuldades para realizar os pagamentos aos seus fornecedores no exterior. Esta situação é agravada por existirem dívidas acumuladas referentes à totalidade de 2015 e ao primeiro semestre de 2016.
     
    Apresentado o diagnóstico e realizada a respectiva análise, fica claro que os actuais desafios resultam não só da queda do preço do petróleo, mas, fundamentalmente, de uma política e de práticas de gestão questionáveis, que colocaram a Sonangol numa situação financeira e operacional precária.
     
    Face a este, ainda mais, difícil contexto, o novo Conselho de Administração tem tido como foco prioritário da sua gestão a inversão dos resultados menos positivos, o acesso a novas fontes de financiamento e a sustentabilidade de longo-prazo da empresa.
     
    Todos os esforços estão agora concentrados na reestruturação da empresa, para proceder depois à transformação societária, alinhada com o novo Modelo do Sector Petrolífero Angolano.
     
    Acções prioritárias desenvolvidas pelo novo Conselho de Administração  
     
    Estamos a trabalhar arduamente para garantir o cumprimento dos compromissos financeiros. Estes determinarão a capacidade da Sonangol de obter novos financiamentos fundamentais para investir em novos projectos de campos petrolíferos, para evitar o declínio dos níveis de produção.
     
    Adicionalmente, e para manter a liquidez financeira da Sonangol e a estabilidade da economia Angolana, temos trabalhado com o BNA e com o Executivo para continuar a assegurar o acesso regular a divisas e, assim, o pagamento dos produtos refinados importados.
     
    Estamos também, e de uma forma criteriosa e ponderada, a reavaliar todos os investimentos e projectos. Em particular, os investimentos na Refinaria do Lobito e na estação de armazenamento de combustíveis na Barra do Dande estão suspensos (e não cancelados) para reavaliação da visão estratégica e da viabilidade económica.
     
    Finalmente, o novo Conselho de Administração lançou um profundo programa de reestruturação interna, baseado na Transparência, Rigor, Excelência e Rentabilidade, que está confiante que irá libertar todo o potencial do Grupo Sonangol. Este programa assenta nas seguintes macros iniciativas:
     
    Ao nível da redução de custos, está em curso um ambicioso programa – o programa Sonalight – centrado na redução de custos via renegociação e/ou cancelamento de contratos, racionalização de gastos, dimensionamento correcto das operações e revisão da política de compensações. O programa já identificou e implementou diversas medidas de contenção de custos com impacto superior a 240 milhões USD (duzentos e quarenta milhões) de poupanças anuais recorrentes.
     
    A Sonangol está também focada no redesenho das estruturas organizacionais com um alinhamento de politicas de subsídios com práticas na indústria, dinamização de um programa de pré-reformas, resolução da situação de colaboradores não activos, actuação sobre o número de contratados, e desenho de um novo modelo de gestão de bolsas.
     
    O sucesso desta reestruturação depende do compromisso de todos os colaboradores. Para incutir uma cultura de maior rigor, excelência, transparência e compromisso, valores base acima referidos, está em curso um programa de mudança da cultura. O novo Conselho de Administração tem dado o exemplo na comunicação aberta e transparente com colaboradores e comunicação social, na auscultação das chefias intermédias nos processos de tomada de decisão, no elevar do patamar de exigência e rigor técnico e na promoção do talento e da excelência.
     
    Conscientes da relevância que a Sonangol tem no panorama económico do País, o novo Conselho de Administração e os colaboradores estão profundamente comprometidos com o processo de transformação que está em curso, no sentido de devolver à empresa o seu papel de principal criadora de riqueza nacional, tornando-a uma referência internacional de excelência e de rentabilidade.
     
     
    Conselho de Administração da Sonangol, 1 de Dezembro de 2016.