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    Energia em movimento! Joaquim Van Dúnem: a mudança tranquila!

    11 de outubro de 2017
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    Joaquim_VanDunem_Destaque.jpgA primeira impressão com que se fica dele é o trato, sempre cortez e delicado. Joaquim Van Dúnem, médico, com especialidade em pediatria, concluída na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, Presidente da Comissão Executiva da Clínica Girassol, fala com um tom de voz sereno que disfarça a firmeza com que enfrenta os problemas na sua vida, profissional e pessoal. O Mestrado e o Doutoramento, obtidos na Universidade de Pernambuco, no Brasil, entre 2002 e 2008, mantiveram-no no caminho da pediatria pois as crianças exercem sobre ele um poderoso fascínio: “É um grupo mais vulnerável com quem se estabelecem relações mais fortes, mais autênticas. A criança não inventa, sabe, e diz, onde lhe dói. É uma relação muito franca” confessa, com a mesma tranquilidade com que lida com os pacientes.

    Nascido em Luanda, há 56 anos, Joaquim Van Dúnem deixou-se seduzir pela Química cujo curso superior chegou a frequentar em Lisboa. Mas a renite e dermatite alérgicas fizeram-no perceber que o seu futuro não passaria pelos frascos de laboratório. A medicina foi o caminho quase óbvio para um homem que vive a profissão como um acto de cidadania, tão mais importante num país como Angola: “O sector da saúde tem muito para melhorar em face das circunstâncias que marcaram os 41 anos da nossa existência enquanto nação. As doenças infecto-contagiosas constituem o principal problema de saúde pública e são consequência de muitos sectores da população viverem ainda em situação de pobreza. Este problema atenua-se, e resolve-se, a médio e longo prazo, com a prevenção. A vacinação, a educação sobre saúde, as boas práticas de convivência social, têm de chegar a todos os recantos das nossas grandes urbes e às comunidades nos locais mais recônditos! Quando o fizermos, Angola deixará de figurar na lista dos países com estatísticas a destacar a morte excessiva de crianças”, sublinha.
     
    Joaquim_Van-Dunem_d.jpgA experiência acumulada ao longo de muitos anos no Hospital Pediátrico David Bernardino confere-lhe a autoridade para se pronunciar sobre estes temas. A ausência de reporte estatístico fiável é outro obstáculo de monta, mas Joaquim Van Dúnem confia na evolução que advém das novas tecnologias: “A Tele-medicina é uma ajuda fulcral, num país de tão grande dimensão como o nosso e cujas valências estão muito centralizadas em Luanda. Portugal e Brasil são parceiros privilegiados, por partilharem a nossa língua, mas a diferença de fuso horário prejudica a relação com os médicos brasileiros. E a colocação de médicos em todos os municípios, que o governo angolano está a fazer, é outra ajuda preciosa”, diz.
     
    A boa relação que constrói com os doentes permite-lhe lidar com questões culturais muito delicadas como o recurso a curandeiros e até à feitiçaria. “Acontece mais frequentemente quando as pessoas já estão desesperadas, em casos de doenças terminais do foro oncológico, com portadores de VIH, com pessoas que ficam incapacitadas devido a acidentes. A parte mental ajuda muito a componente do tratamento clínico, mas por si só, não resolve o problema”, conclui para exemplificar com os perigos destas opções: “Assisti uma criança, nascida em casa, sem problemas, e que 24 horas depois, apresentava dificuldades respiratórias já complicadas. Tudo por causa de um unguento que lhe foi ministrado e que formou um “rolhão” na garganta que o impedia de respirar. Removi-o e a criança voltou a viver normalmente. É daquelas situações que nos deixam felizes, por ter acabado bem, mas preocupados, por ainda subsistirem na nossa sociedade!”
     
    2010 marca o seu ingresso na Clínica Girassol onde, nas funções de Director do Gabinete de Ensino e Pesquisa, adquiriu uma visão abrangente da instituição que dirige como Presidente da Comissão Executiva há cinco meses. “Assumi estas funções passando pelo processo de avaliação que se estendeu a quase todos os Colaboradores. Hoje, todos temos de reconhecer que existe equidade nas oportunidades, relevando-se as qualidades e mérito de cada um. O desafio é imenso, mas creio que, com a minha equipa, temos condições de melhorar a eficiência, reduzir custos e aumentar as receitas. Queremos comunicar mais e melhor e motivar todos os nossos Colaboradores. A Clínica Girassol precisa disso, a Sonangol precisa disso, o país necessita disso”, afirma, convicto.

     

    Joaquim Van Dúnem compreende que muitos ainda receiem a mudança. Para ele é um processo normal e tranquilo que resulta da própria realidade do país. “Necessitávamos de “descer à terra” pois a realidade desvaneceu-se com o petróleo a 100 Usd por barril. Desde que chegou a crise recordo, muitas vezes, uma frase do empreendedor, e multimilionário, Warren Buffet que diz que quando a maré desce é que se vê quem tem fato de banho. A verdade é que em Angola, quando a maré baixou, muitos ficaram sem o fato de banho mas esses, são cada vez menos…”

     

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